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A Porcelana como uma ferramenta estratégica de um hotel, por Noemí del Barrio

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Pratos que não são apenas pratos

Na hotelaria, nada é neutro. Nada.
Tudo o que colocamos à frente do cliente comunica, condiciona e, se nos distrairmos um pouco, pode jogar contra nós.

E a louça… ai, a louça.
Esse pequeno detalhe que muitos hotéis escolhem por catálogo porque é bonito ou, pior ainda, apenas pelo preço.

Quando, na realidade, a louça é uma das ferramentas mais poderosas que temos para orientar o cliente: a sua experiência, a quantidade de comida que vai consumir e, consequentemente, os custos do serviço. Quando se compreende isto, deixa-se de “comprar pratos” e começa-se a tomar decisões.

A louça fala antes da comida.
E isto é um facto.

Quando o cliente ainda não provou nada, já está a interpretar o serviço, a qualidade e até o próprio hotel. Um bom prato ajuda — e muito — a construir essa perceção de forma positiva.

O peso, o material, a cor, o tamanho… tudo contribui para criar uma mensagem silenciosa que fala de cuidado, ordem, profissionalismo, abundância ou escassez.

E aqui entra um ponto que muitos esquecem: a louça deve ser coerente com o posicionamento do hotel.

A louça também é narrativa.

Um prato com peso transmite qualidade.
Um prato de design simples fala do conceito do buffet.
Um prato pequeno, em determinados contextos, comunica detalhe e intenção.
Um prato grande pode sugerir abundância — ou criar um vazio desconfortável, se não for bem gerido.

Falemos de tamanhos.

O tamanho do prato muda a forma como o cliente se serve. Isto não é uma opinião, é ciência. A chamada ilusão de Delboeuf, descrita pelo psicólogo e filósofo belga Joseph Delboeuf, explica que, num prato grande, uma porção parece menor; num prato pequeno, a mesma porção parece suficiente.

Num buffet, isto não é teoria. É dinheiro.
Pratos grandes significam mais comida, mais desperdício e mais custos. Pratos mais pequenos ajudam a criar porções equilibradas, reduzem o desperdício e aumentam a perceção de cuidado.

E se ainda houver dúvidas, existe o conhecido estudo “Bottomless Bowls”, de Brian Wansink. Investigador norte-americano especializado em comportamento do consumidor e psicologia da alimentação, Wansink demonstrou como o ambiente influencia não só o que comemos, mas também quanto comemos.

No seu estudo, ficou claro que o tamanho do prato altera a perceção da quantidade servida e, consequentemente, o consumo. As pessoas chegaram a comer 73% mais, sem se aperceberem.

Num hotel, onde a experiência e a gestão caminham lado a lado, estes dados não são curiosidades. São ferramentas.

Eu sei… não quer um prato pequeno no seu buffet. Eu também não.
Mas um prato é mais do que um prato: tem duas partes — o fundo e a borda. A base onde se coloca a comida e a área que a enquadra. E é aqui que existe margem de manobra: é possível ter um prato visualmente grande, com uma borda ampla, cuja capacidade real é menor do que a de um prato pequeno.

Falemos de qualidade.

Ou melhor, da perceção de qualidade. Daquilo que o cliente sente sem que lhe seja dito.

A louça não influencia apenas a quantidade consumida, mas também a forma como o cliente interpreta o serviço.
O peso e o material importam: um prato pesado transmite prestígio; um prato leve, lascado ou desgastado comunica descuido, mesmo à distância.
A cor e o contraste também contam: o branco e o creme realçam os alimentos; os tons escuros sofisticam; o contraste ajuda a perceber melhor a porção e a apresentação.

E, acima de tudo, coerência com a marca. Porque a louça não é decoração. É identidade. E quando não acompanha o conceito do hotel, enfraquece-o.

E qual é o impacto operacional?

O impacto surge quando estética e gestão andam de mãos dadas. Porque escolher bem a louça não é apenas uma decisão estética — é uma decisão operacional.

Ajuda a controlar custos.
Reduz desperdício.
Melhora a perceção do serviço.

A louça não é um acessório. É uma ferramenta de gestão. E das boas.

Um prato pode elevar — ou arruinar — toda a experiência.
Afeta a perceção, o comportamento alimentar, a sustentabilidade e a rentabilidade.

O tamanho do prato muda a forma como comemos e a forma como interpretamos o que comemos.

Num hotel, onde cada detalhe conta, a louça é uma oportunidade para elevar a experiência, reforçar a marca e otimizar a operação.

Por isso, deixe de ver a louça como uma despesa. Porque não é.
É um investimento em coerência, qualidade e rentabilidade.

E, a partir de agora, espero que olhe para os seus pratos com um pouco mais de amor.

Noemí Del Barrio – Chef consultora/formadora de buffet hoteleiro | Especialista em experiência do cliente e rentabilidade em A&B através do branding gastronómico e do marketing visual | Top 150+ influentes do turismo em Espanha 2026

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